Minha
querida, há mais histórias nessa vida do que você possa imaginar. Não julgue o
livro pela capa, não busque estereótipos, a verdade é cruel demais para ser
enxergada, às vezes. A ternura que uma pessoa carrega nos olhos esconde os mais
oprimidos desejos, os mais desvirtuados momentos e ambições. Você não imagina
do que as pessoas são capazes até cair em uma das suas armadilhas. Não quero
ser rude, nem desacreditado, mas não pense que por ser boa você irá conseguir
passar por tudo isso. O mal do sincero é esse, achar que todo mundo também o é.
Acredite, vai ter quem minta na sua cara e sustente a cara lavada, se
vangloriando sobre rasteiras e puxadas de tapetes. Há quem queira muito ver o
seu mal, e que não se importe em destruir seu pequeno mundo. Há mundos por
demais pra povoar só este. É capitalismo, é humanidade, é erro demais pra uma
frase tão curta. E quem for lento perde a logística do raciocínio. Ah, o
sensacionalismo também vai dar as caras. Quem é mais vítima, até onde chega a injustiça
do mundo?! Colarinho branco aos prantos mendigando atenção, enquanto torra seus
quinhões com futilidades e vazios. E onde fica a consciência social nisso tudo?
Cruz credo, não quero nem pensar. O quê? Tô vendo as coisas muito cinzas pra
você?! Deixa só eu explicar: conheça o mundo ao seu redor, e logo irá pra fila
dos que pedem as contas. Por mim, já teria me demitido dessa vida faz tempo. Essa
escolha cabe a mim?! Não é só o meu mundo, e embora isso não me console nem um
pouco, tenho que seguir o caminho, porque essa escolha não nos é dada assim
facilmente. Somos máquinas. Programadas para, a qualquer custo, mantermos o
sistema, não temos controle pleno sobre a programação, e é isso o que não nos
leva à loucura. O sistema é fechado, rigoroso. E quando se dá conta dele, você
tem uma vaga noção do que os outros podem contra você. Não se engane com a
primeira impressão, não é sempre ela que fica.

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