Eu bebi romance a semana inteira. Despertei outra paixão adormecida e por assim dizer, estou apaixonada. Devoro-os com total fome literária. Encho-me de expectativa e sonhos poéticos, pra esvaziar-me em lágrimas de desfecho fático. Tenho um companheiro a cada noite, sem me enveredar de certezas para a noite seguinte. Findo-os assim como começo. Sem tempo pra muita reflexão, além das minhas resenhas tórridas de aspirante a escritora. E assim começo outro, me apaixono e me perco, depois volto, recobro os sentidos e já não o vejo com aqueles belos olhos de recém enamorado. Fora só mais um. Amanhã ele descansa na prateleira enquanto outro aquece minha mão. Mas não descarto, estão todos lá, nos arquivos, na prateleira, dentro da gaveta ou daquela caixa lá nos fundos. Com seu cheiro, cor e fala única. Até o sotaque eu percebo. E me dão uma saudade. É, saudade boa essa que mato sempre que sinto, com o folhear desordenado e sorrateiro, só pra manter a chama. Deixo-os livre, com a certeza de que voltam sempre que eu desejar. E assim desconheço forma melhor pra se apaixonar.

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