domingo, 15 de janeiro de 2012

Não se esqueça das chaves.


         Preciso mesmo é ser tolerante, quem quer faz por onde. Quem não quer, se esconde. Por isso não confio em qualquer palavra, qualquer sorriso, beijo, afago, abraço fácil. As pessoas sabem fingir, muito bem por sinal. Conhecer a gente só conhece quem deixa, quem abre a porta da frente e deixa livre a passagem. Quem dá permissão pra vasculhar cada cômodo, se aconchegar, admirar a arquitetura e palpitar na decoração. Quem te recebe pela porta do quintal, muito tem a esconder, pouco vai ter pra mostrar. E quem põe cadeado e tranca na chave logo diz que não quer visita, pra que incomodar quem não tem o que oferecer?! Ocupar-se com o que não engrandece e chega até a fazer mal?! Não mais, obrigado, agora não. Às vezes o que nos resta é se afastar, porque perto ou longe, já não fazemos diferença. Busquemos ser a diferença pra outro alguém então. No fim aprendi que a gente só quer mesmo um porto seguro. A garantia, a certeza, qualquer coisa que seja, que nos mantenha vivos, que nos mostre que a vida é bem mais que isso. Embora ainda tenhamos tanto medo. Só queremos um refúgio, um esconderijo seguro. Apenas algumas pessoas, e chaves. Pra voltarmos pra casa sempre que for preciso.

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