Admiro Deus, a ignorância é mesmo uma virtude. Ainda pior que uma mentira deslavada e a indiferença, é uma verdade inútil. Às vezes, eu custo a acreditar na hipocrisia humana, mas vejamos, basta olhar para o lado e distinguir o que lhe cerca. Logo se percebe que a ficção plagia a vida real. Ou seria o contrário?! Francamente, há tempos veio tentando entender o que faz de alguns de nós seres tão repugnantes. E acabei por concluir que, muitas vezes, basta ser você mesmo para causar tamanha repulsa. Não, não me leve a mal, mas certos e considerados fatos me tiram do sério. A futilidade humana me enoja. A soberba. O sentimentalismo exacerbado e sem cabimento. A apatia também. A equívoca mania de ser bom, amigo de tudo e de todos. Oh não, isso não, por favor, tudo menos ter que lidar com essa natureza insípida e adstringente. É intrínseco ao homem ser lobo dele próprio, não há porque mudar a ordem das coisas. Guardemos o sarcasmo para os momentos que lhe são oportunos. Agora vir regar a vida de sabor e sorriso, como se o mundo lá fora não existisse, como se as bombas nucleares, a fome, a guerra, os desabamentos, as contas para pagar e os exames finais não atingissem nada além do que os olhos podem ver é ser um tanto petulante e ingênuo, não acha?! Certos sonhos deveríamos ser poupados de sonhar. Entendam meus amigos: é inútil tentar explicar o futuro desses seres. Quando criança, aceitamos a resposta que nos é dada pelo simples fato de não sermos atingidos de primeira. Quando adultos, replicamos, chegamos ao ponto de perguntar com respostas e responder com perguntas. Pior, “criamos” uma teoria em nível filosófico, triunfal e absurdo para ensaiar nossas dores, de modo a impactar o outro. E é assim mesmo. Hoje nos machuca o calo. Amanhã, perde o sentido ou acostuma a agonia. A dúvida é sua. É minha, de quem quer que seja. As respostas, ah, nos são dada quando menos se espera. Questionaremos eternamente, entre divino e profano, caminhando por caminhos duvidosos, rumo ao amanhã desigual para seres julgados iguais em condição. E no final descobriremos o que já nos dizia o poeta, “... tudo muda. E com toda a razão”.

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