Então, enquanto escutava outra dessas canções que só eu conheço, parei um instante pra contemplar a ausência de pessoas em minha vida. Não, não há nada de assustador nisso. A maioria delas eu me fiz o favor de expulsar. Outras, vão e voltam sempre que quiserem. Não crio empecilhos, mas também não faço questão de muito pouco ou nada. A convivência diária me fez ver que laços afetivos se desfazem e refazem. Que as pessoas são como rios. Não se é o mesmo sempre, e não há como voltar a ser o que eram. Fatalmente constatei isso quando a carência de ombro amigo assolou a casa, fez estadia e morada. Não sei, vai ver o defeito está em mim, que insisto em ver o lado mais humano da situação. Mas já me dei conta de que os tempos estão difíceis, e há muita coisa que deixou de ser dita, guardada no silêncio de cada um. A gente interpreta, como pode ou como quer, o que o coração deixou de dizer. E eu lhes digo, deixei muita coisa, e do dito pelo não ditou, restou muito pouco. Assim como as pessoas. Não faço mais questão delas. Quem quer, fica, mas faça por onde merecer seu lugar. Aceite de bom agrado o que lhe é ofertado. Aos que perderam, só lamento, a perda ou a sorte, quem sabe o certo dessas histórias erradas. Não se preocupem com as distâncias, elas sempre existiram. Eu é que insisti em ficar perto disfarçando solidão com ‘companhia’. Mas como já me disseram, nem sempre o que a gente sente corresponde à verdade. Então deixemos que ela adentre a casa e o coração. O que não der pra ficar, que se vá com a mesma maestria que chegou. O que fica, me faça o favor, acomode-se sem abalos pra não comover a estrutura. É, a gente muda, com razão ou por conveniência. Mudamos e ficamos sozinhos. Sabendo o certo e estando errado pro resto do mundo.

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