Mas como eu começo depois do fim? O som da porta batendo atrás de mim, minha vida se parte em pedacinhos pequenos, o que restou, o que dizer, prá quem ligar, aonde ir? Eu mudo o canal, eu viro a página, mas você me persegue por todos os lugares. Seus dentes e seus sorrisos mastigam meu corpo e juízo, será que alguma coisa nisso tudo faz sentido? A vida é sempre um risco, eu tenho medo do perigo. E mesmo que eu gaste as tardes pra botar a casa em ordem, fica pelo ar que o coração insiste em discordar, e bate fora de lugar, gritando aos quatro ventos ‘Vem amor que a hora é essa, vê se entende a minha pressa’. Procuro evitar comparações entre flores e declarações, eu tento te esquecer. E o que me dá raiva não é que você fez de errado, nem seus muitos defeitos, nem você ter me deixado, nem seu jeito fútil de falar da vida alheia, nem o que eu não vivi aprisionado em sua teia. O que me dá raiva são as flores e os dias de sol, são os seus beijos e o que eu tinha sonhado pra nós. Verdade, tantos sonhos morrem em poucas palavras. E de quê adianta você saber o quanto eu sinto? Minha dor vai ser mais problema que solução, por fora eu disfarço o quanto eu ando aflito, e faz tempo que eu me perdi de você. Sabe, olhando as pessoas, falando de espaço e mantendo distância eu descobri, sem saber, que antigas verdades viraram mentiras, e nada protege de uma paixão vir acontecer. E eu só queria que você me dissesse quem vai te abraçar? Me fala, quem vai te socorrer? Quando chover e acabar a luz, pra quem você vai correr? Eu passei um tempo andando no escuro, procurando não achar as respostas, mas percebi que eu era a causa e a saída de tudo. É, delicadeza e doçura não fazem muito sucesso, nem alegrias de bolso e nem amor que deu certo. Eu achava que tinha de tudo para sempre, que tinha amigos de verdade, mas a verdade sempre vem bater à porta, a gente tenha ou não vontade. Então, deixa tudo assim por mim, eu não me importo se nós não somos bem assim. Um tropeço ensina mais do que um sucesso, pra mim, é tudo bem mais claro agora. Histórias, bebidas, sorrisos e afeto em frente ao mar. Tramas do sucesso, mundo particular, solos de guitarra, não vão me conquistar. Eu dei mais do que podia e isso não bastou, mas um dia a gente acorda e a febre já passou. Eu sempre me perguntava: porque não eu? Mas só eu mesmo pra desculpar por tanta incapacidade de amar. Você deixava muito claro que eu ia precisar ser corajoso ou estúpido demais pra amar. Gastei tempo em nada, da forma errada, mas deixei o melhor pro fim: nem pirata, nem herói que mata. Pra você: o melhor de mim. Tô indo embora, passando longe, sem olhar pra traz, ouvindo a canção que me sussurra ao ouvido: a vida é boa apesar de tudo, pode acreditar no que eu te digo.
P.S. Pra Bellinha, os melhores trechos das canções preferidas desse indescritível cantor (compositor).

Amei, ficou muito legal! :D
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