Ok, já deu o que tinha que dar. Já chorei, emburrei, larguei, voltei. Gastei horas e dias nessa história de começo e fim, sem entremeio. O que mais há pra fazer?! De nada adianta eu reviver passado, confabular futuro ou acreditar, eh, acreditar como todo poeta costuma cantar nas entrelinhas. Ah não, sem tanta crença, por favor. Verdade seja dita, de nada isso um dia me adiantou. Longe de permanecer, vamos deixar as coisas mais claras. Ou sem explicação mesmo que é pra não complicar. Deixa como está. Mais dia, menos dia, uma hora ou outra passa alguém e muda o disco, ou me traz uma história nova. Distrai, procura alento em outro canto, em outro jeito, ou sotaque britânico. Música nova na playlist, e coração pulsando mais fraco do que de costume, por que energia demais foi um desperdício. Também a cabeça anda se ocupando de outras coisas, e talvez por isso as palavras venham com mais dificuldade, porque meu amigo, a bagunça aqui de dentro é um caso a parte. Fico imaginando, daqui a alguns anos, como é que vai ser esse registro catastrófico de uma década perdida. Ou talvez bem pouco fique, e no final das contas, tudo muda mesmo, a gente escreve como quer aquilo que passou de nós. Mais melodia, chocolate, rede congestionada e distâncias confortáveis. Não é medo não, é altruísmo, proteção. Quem não se abriga corre sério risco de perder a razão. E quanta falta ela me fez no último verão. Mas é chegada a hora em que as coisas procuram seu devido lugar. E o que não se encaixa, vai pra doação. Não que alguém queira algo do que sobra por aqui, mas reciclagem tá aí pra isso, aliviar a situação. Não dá mesmo pra voltar, e como eu nem me despedi, é bom relevar, tô abandonando tudo aqui. Não adianta, agora é tarde, sem choro, sofrimento ou importância. Sufocar sentimento também cansa. Vai saber, olhando de outro jeito, uma hora a gente estranha, encontra outro sentido e desencanta, descobre meio tarde, sem cobrança, que somos mesmo feitos de distâncias.

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