Esquece. O mundo não para e as coisas não voltam só porque você quer. Infelizmente nós temos de aceitar o fato de que a vida nunca vai ser como a gente quer e, oh, como eu sei bem disso em minha admirável vida importuna. Cheia de começos e fins, sem realmente ter um entremeio. Talvez seja minha mania de ser tudo ou nada, do sim ou não, o que acaba fazendo isso de mim...um regado de começos e fins, sem conteúdo entre eles. Ah, como eu queria não estar assim agora...com esse desgaste, esse cansaço, essa dor de fora e de dentro que maltrata tanto. Todos sempre me disseram que eu lidava muito bem com minhas emoções e conflitos do dia-a-dia. Confesso que algo aqui dentro deve ter cansado, porque ultimamente tem sido difícil suportar esses fantasminhas que me povoam. Ou vai ver eu mudei, tornei-me aquilo que mais temia ser. Um marasmo de sentimento desmedido, em profunda confusão. Tudo bem, quem eu sou ou quem eu fui não importam mais. Tão difícil compreender o fato de minhas paixões tornarem-se aversão tão compensadamente. Tão insano algo me fazer tão bem quando junto está, e só me confortar de mal quando se afasta. Tão ruim essa necessidade do que necessariamente eu não devia ter. E depois me dizem que o que eu sinto não é o que acredito sentir. Louca, pra não dizer cruel essa ideia que trazem de mim. Cansei de consolos, da mania alheia de acreditar que o que tenho não é pra incomodar tanto assim. Eu sei, já cansei de discutir isso, e coloquei na cabeça a ideia de que, às vezes, só nos resta entender, já que no final, é só o que me resta mesmo. Eu sei que posso ouvir a mesma música duzentas vezes, mas nada disso me trará algo que já foi, porque nunca vai ser a mesma coisa, e nunca vai voltar da mesma forma. O que a gente sente nunca é o mesmo depois da tempestade. Uma mentira é só mentira depois da verdade. O que me falta todos os dias é coragem. Ânimo que se escondeu não sei onde, e não quer aparecer de bom agrado... então me disfarço, escolho aquela dose de entusiasmo e degusto aos pouquinhos, preenchendo cada manhã da minha vida. Regando meu descontrole pra preservar meu domínio interno. É que eu preso pela ordem, nem que isso me leve ao exagero. E, verdade seja dita, há tempos que me sufoco no exagero que há em mim.
(Efeito colateral de um desabafo com Carolina)

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