Então, como quem espera as cartas chegarem, vivo cada expectativa como se fosse única. E isso me mata de vez em quando. Mas não é o fato da espera que angustia, é descobrir que ela não valeu à pena. Sejamos sinceros, nada mais devastador do que não ser aquilo que um dia se imaginou tão real. Fracasso não é uma palavra que soa bem pro fim do dia. Não há como se sentir melhor depois disso. Dá um certo trabalho decifrar cada emoção perdida, confusa, atribuir, distribuir e desprezar, sintetizar numa simples e dolorosa palavra: recomeçar. Ir em busca de novas verdades, adequar estimas e significados. Expulsar o que não serve também dói um bocado. Mas que bom Deus, que eu aguento, eu suporto, e me livro daquilo que atrasa meu caminho. Que bom que sou forte, e espalho sorrisos, mas não escondo meu fracasso nos olhos. Que bom que cuido das pessoas como pessoas, e não como cartas de baralho. Descartes nunca me caíram bem. Nem substituições. Não sei brincar como num jogo, onde a maioria rouba, e nem se importa. Eu não, todas as noites tenho contas a acertar e só durmo com perdões e promessas, ainda que eu as quebre. Mas para isso existe o amanhã, ou até mesmo o agora, para que eu me desculpe. Pela frase feita, pelo dia ruim, por não entender ou querer demais. Por querer errado. Por me enganar. Incrível a capacidade que tenho para me enganar. Talvez porque eu veja demais, e não saiba filtrar as emoções e sentidos. Quase sempre, pareço perdido. Mas não se espante, é nessa hora que mais me encontro, que mais sou eu. Porque sou assim, de todo certo no meu jeito errado. Sabe, faz algum tempo que não desperdiço lágrimas, nem tempo. Sinceramente, ando me ocupando de matéria, coisa física, que todo mundo pode sentir. A subjetividade do último ano acabou com meu mecanismo. Tô correndo sério risco de entrar em pane. Mas antes que isso aconteça, abri os olhos pras verdades que esfregavam na minha cara. Vi-as com outros olhos. Oh! E tão pouco espanto me causaram. Talvez porque, no fundo, nada daquilo fosse novidade, só as mesmas velhas coisas de sempre. Mas como todo o sempre, esse acaba. E tá acabando. Só restam os créditos, coisa que ninguém presta atenção. Não minto, olho mesmo só pra descobrir o nome da canção. Vivo um pouco mais do que antes, como quem espera encomenda pelo correio. Porque no fim, tudo é expectativa, realidade e desencanto mesmo.

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