Outro dia me falaram pra escrever algo sobre compartilhar. OK, digamos que escrever não seja assim tão simples como pegar papel e caneta e voilá. Muito menos quando temos um tema preso, porque verdade seja dita, paredes tornam-se um grande obstáculo pra um eu-lírico teimoso e rebelde como o meu. Tentemos, pois, realizar a árdua tarefa que me foi incumbida. Até onde minha humilde consciência mundana pode chegar, compartilhar não se resume em dar o que sobra ou o que não se quer mais. Partilha é dar de si mesmo, sem mágoa, sem egoísmo, sem receio; ainda que doa, dar de si para o bem de outrem. Significa afeiçoar-se do que falta no outro e sobra em si. Dividir o que se tem com o mundo que nos cobra tanto, sem necessariamente dar-nos algo em troca. É o tipo de lição que nos é cobrada desde muito pequenos, e muitas vezes, parece até irracional. Sim, porque é desconcertante reconhecer o bem que uma pessoa é capaz de fazer por outra. Não somos acostumados à benignidade, o que nos assusta de forma considerável quando somos surpreendidos por algo tão sublime. Tá, não sou a melhor pessoa pra comentar o assunto, levando em conta que muitas vezes não sei compartilhar nada além dos meus “terríveis” problemas. E, sejamos sinceros, não há santa paciência que suporte tantas parábolas assim. Mas posso dizer que compartilho boas lembranças, acontecimentos com pessoas que nem sempre estão presentes, porque o destino preferiu assim; É quando Deus nos conforta com memórias, para que não esqueçamos quem somos. Para que não esqueçamos que somos feitos disso, de troca, de descobertas, de partilha, de segredos, de pessoas, de despedidas, de reencontros, de pedaços. De passado, de presente e de acaso. De desculpas, de perdão, desapego e superação. Talvez compartilhar seja isso mesmo, um tanto de vontade, amor e saudade, um bocado de distâncias e ausências, uma forma de lembrar que sempre há mais na vida do que meras coincidências.

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