OK amor, vamos colocar as coisas no lugar. Você já não me assusta como costumava fazer e eu, sinceramente, posso dizer que ando aborrecida com todas as coisas que você tem feito. Não é atoa que os poetas dizem que o amor é bem mais lindo nos livros e na tv, e que na vida real a gente sofre pra valer. Sabe, depois de todas essas coisas acredito não precisar mais dos seus conselhos medíocres que me faziam agir sempre como uma idiota diante das pessoas. Também cansei de chorar madrugadas, perder noites de sonos e crer que a minha vida não encontraria mais sentido sem tudo aquilo que eu sentia. Ah, verdade seja dita, nessas horas a gente sempre procura uma desculpa pra justificar o injustificável. É como o autoengano, porque aceitar a verdade que bate à sua porta e grita aos seus ouvidos é bem mais doloroso. E quanta dor isso pode causar, heim, senhor amor! Quantas armadilhas, fugas, ilusões e encantos você implanta em nossas cabecinhas apaixonadas a fim de permanecer cá dentro, guardado, alimentado e protegido. Quanta comodidade, heim?! Aproveitamento mesmo, seu espertinho, mal sabe todo estrago que deixa, toda bagunça que nos dá um trabalho danado pra arrumar, e muitas vezes nem conseguimos organizar. Porque algumas coisas perdem o sentido. Não se encaixam em nenhuma prateleira, estante, criado mudo, gaveta ou caixa secreta. É algo do qual não podemos nos livrar, e não temos mais onde abrigar. Difícil, né?! E você se camufla do sentimento mais lindo do mundo, é defendido pela maioria, e tira toda a culpa das costas, não é?! Quase sempre o outro é responsabilizado por aquilo que você, sentimento malcriado, apronta por aqui. Pois é, tenho algumas coisas pra te dizer. Primeiro, eu desisto de mim, é, de tudo o que você me obrigou a ser nos últimos tempos, por ter me feito esquecer o que a canção me disse sempre, que o destino sempre me quis só, mas você tentou mudar essa ideia em minha cabeça, e posso dizer que até conseguiu por algum tempo, agora não mais. Desisto porque sou desaforada, porque machuco querendo ou não, porque não controlo o que sinto, e geralmente demonstro da maneira errada. Porque não quero mais ser vítima de mim mesma. Desisto de você também, é, de você. Por todo mal e bem que me fez. Por todas as mudanças que se instalaram e, provavelmente, irão permanecer. Por toda raiva, desejo, vontade e saudade. Por toda resistência, todo lado quente e doce. Pelo seu egoísmo e preocupação supérflua, por tudo o que foi desnecessário. Enfim, desisto de nós, porque nunca fizemos uma boa dupla, porque nós gostamos de tortura, e isso é loucura. Porque se aqui eu permanecer, provavelmente destruiremos um ao outro, findando aquilo que nem chegou a começar, se é que é possível acontecer. Que nosso presente torne-se passado antes mesmo de cogitarmos ser futuro. Nesse mundo todo ao avesso, em que a alegria nunca teve endereço, prefiro meu vazio, meu cansaço, meu desprezo. Sei lidar melhor com eles do que com qualquer outra coisa. Então, cuide de arrumar as malas, e se apresse em ir embora. Porque já me resolvi, eu não quero volta. Por favor, se antecipe, retire-se agora. Deixe que eu mesma fecho a porta.


Nenhum comentário:
Postar um comentário