segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Ro-ti-na


Li outro dia que nós costumamos ser o que faz parte de nossas vidas. Sim, nós somos uma rotina. Contínua. Mas não é difícil se perder. Há coisas na vida que nos levam a desviar caminho, traçar novas rotas. Coisas que viram nosso mundo de pernas pro ar, fazem uma bagunça danada, nos perdem dentro de nós mesmos. Eu andei perdida, em sonhos, saudades, vontades que me ocorreram. Morri e revivi algumas tantas vezes nos últimos tempos. Afoguei-me em mim mesma, em toda minha incompreensão diante da vida. Lutei contra todos, meus sonhos perdidos, meus medos vividos, meus ódios sentidos. Chorei, sofri, desejei não estar aqui pelo menos um milhão de vezes. E, nossa, como amei, como odiei sentir tudo assim e não saber o que fazer com o que sobrou. Nossa história é mesmo feita de milhões de horas correntes, e o que realmente vale nisso tudo, resume-se em 5 minutos. Oh, quanta preciosidade pra tão pouco tempo. Mas se formos levar a sério, nenhum tempo é tempo bastante. Sempre falta, sempre parece que poderia ser mais. Porque a gente quer, e é esse o problema, a gente quer demais. É, palavra é coisa séria mesmo. É entrega, confiança, abrir-se pro outro sem compensação. Demos o devido valor a isso, por favor, não me desperdice, nem se desperdice em conversas regadas de vazio.
Resolvi me vasculhar, revirar, ficar de ponta cabeça, por pra fora tudo o que me preencheu de vazio nessa estação. Expulsei cacos de vidro que se diziam joias raras, porque falsas pedras para os leigos são mais uma preciosidade, e para os especialistas, uma perda de tempo. E tempo, você, de novo, me aparece aqui. Me consome, me preenche e conforta.  É a companhia perfeita pra solidão exigida de alguns momentos. Solidão boa, se é que isso existe, aquela de cercar-se do que te faz bem, mas não deixar nada ir além. Contaminar-se do necessário, sem exigir, sem exceder ninguém. Descobri que todo dia deve ser meio lembrança, meio começo, meio cansaço, meio alegria, meio esperança e muita, muita vontade de realizar.

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