quarta-feira, 22 de junho de 2011

Um outro conto...



Aí eu terminei de ler mais um daqueles romances regados de destempero e que me fazem pensar o quanto a vida pode ser bonita se a gente contá-la de outra forma. Porque os contos de fada nunca me entusiasmaram muito. Pra ser mais sincera, eu sempre me agradei da história menos contada. Eu nunca fui de concordar com tudo mais, então isso explica muita coisa. E eu fico imaginando como alguém pode ter a certeza que viverá feliz para sempre com uma pessoa que aparece nos quarenta e cinco do segundo tempo, te rouba um beijo e casa com você logo em seguida. Que situação mais insana. Tudo bem, não ando lá muito romântica, mas tenhamos um pouquinho só de senso comum.  Qualquer um dotado do mínimo de capacidade possível sabe que as coisas nunca acontecem assim. Príncipe encantado e seu cavalo branco, animais falantes e uma maluca com asas que realiza todos os seus desejos não se encontram por aí tão facilmente (Se alguém encontrou, sugiro ficar calada e procurar um meio de não despertar a menor desconfiança, porque qualquer vacilo vai te render, na melhor das hipóteses, um coração partido). Acredito que os tais “contos de fadas” deveriam ser classificados, hoje em dia, como contos da carochinha mesmo. Porque  o tempo passa, crescemos e descobrimos que nada disso se realiza. Que pessoas costumam desperdiçar outras pessoas, e fica por isso mesmo. O vilão nunca muda de lado, e quase nunca desaparece no final. O castelo até existe, mas é um sonho caro demais para uma menina pobre como eu e tantas outras. E quando você se depara com tudo isso, vê que o que te restou é meio sem jeito, falta graça ou maestria. Mas é a única alternativa. Sabe, eu guardei no armário a velha personagem que fiz. Porque em toda história, a mocinha sofre, mas tem seu final feliz. E com a minha, não era bem assim. Contos de fada não foram feitos pra mim. Sinceramente, alguém devia comentar que os tempos são outros, e a fada madrinha já saiu de moda. Que ninguém mais volta na hora. Que o príncipe encantado quase sempre é um idiota. E que sapatinho de cristal aperta e faz calo, vestido longo é cafona e pesado, felizes para sempre não passa da noite de sábado. Verdade seja dita, vida de princesa é mesmo um saco. Por isso eu encaixotei a pobrezinha.



2 comentários:

  1. Duda novamente, com sua capacidade de entrar em nossas cabeças e dizer o que pensamos, mas não temos palavras pra colocar pra fora.

    ResponderExcluir
  2. Oun!!Obrigada Aninha!!!
    Acho que isso é mal de filha do meio, viu!?!?
    beijo

    ResponderExcluir