domingo, 27 de fevereiro de 2011

Muito pouco...


Não bata na porta, não incomode minha falta de sossego. Meu coração arrependido. Minha falta de sentimento e meu desgosto pelo mundo ao meu redor. Minha inconstante vontade de conhecer tudo e meu desinteresse pelo real. Sou fictícia. Sou personagem coadjuvante da peça que eu mesma criei. Sou um tanto desagradável e as coisas, para mim, não têm volta. Minha incapacidade de perdoar é terrível. Meu bom senso é presunçoso. A confiança que tenho em mim, às vezes me leva a crer que nada me preenche, e tudo parece tão pouco. Meu ódio é desmedido, meu descaso é colossal. Sou um poço de aborrecimento perdido na (des)civilização. Um fastio completo. Um anjo pra ignorar. A dona da falta de paciência e compreensão. A revolta em pessoa, disfarçada de hippie em plena grande São Paulo. A cara da indiferença. A bipolaridade que não me define em uma palavra. Exagerada como nenhuma outra, meu drama é mexicano. Perigosa como só eu sei, nunca me dê papel e caneta. Você poderá se surpreender com as coisas que escrevo, e olha que eu só estou começando. Não faço muitos planos.  Posso ser alegria e soberba, e viver uma intensa e melancólica agonia. Escondo no sorriso o que não é de interesse de todos e guardo rabiscos dos sonhos irreais. Já não espero tanto como esperava.Cansei da faculdade, cansei dos vizinhos, das músicas de domingo e da mais louca saudade. Da mesquinharia e hipocrisia humana. Da falta de bom senso e do desprezo das pessoas. Cansei do asfalto e dos prédios desbotados. Do calor que não esquenta e do frio que suaviza.  Ah, cansei da última música que ouvi também. Ultimamente, ando numa perfeita insatisfação. Tudo me é tão pouco, e pouco eu não quero mais.

2 comentários:

  1. A cada novo texto eu me surpreendo com a sua habilidade em escrever. E me surpreendo também com a semelhança que eu nunca pensei que poderia existir entre nós.

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  2. *-*Brigada meninas!!!!
    Thaílla!!A gente encontra semelhança nas mais notáveis diferenças.E aquilo que a gente mais esconde acaba escorrendo pelos dedos quando escrevemos.

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