...é a alma dos nossos negócios!"
- Chico Buarque
Ok,
essa é a primeira tentativa, mas as palavras já povoavam minha
cabeça desde a noite passada. Resolvi controlar meu imediatismo.
Descansar as palavras e dar a elas o tempo certo de maturação. Eu
sei, quase ninguém faz isso e, por isso mesmo, resolvi assim fazer.
Hoje
você me ocupou. Ou melhor, me fez uma visita como há muito não
fazia. É engraçado como sua presença não me causa espanto, mas
traz um incômodo que me desestabiliza. E eu tenho a plena
consciência de que todo cuidado e dedicação dos últimos anos não
valeram de nada. Basta você apontar na esquina para o mal se
instalar.
Não,
com isso eu não quero dizer que sua presença me cause dor, muito
pelo contrário. Toda vez que habita em mim, cresce uma vontade de
querer consertar as coisas. Não, eu sei, não vai voltar a ser o que
era, não tem como ser, isso tudo não passa de um pedido de
desculpas. Quero que me desculpe para que eu também possa me
desculpar pelos meus erros. Porque eu ainda não me perdoei, veja só.
Isso
tudo não é saudade. Nem arrependimento. Nem raiva. Já passou. Só
hoje me dei conta. Demorou tanto pra acabar que o fim chegou e eu não
percebi. A única coisa que me entristece nas suas chegadas é saber
que não são recíprocas. Não te visito com a mesma frequência e
isso sempre foi tão latente. Não consigo entender esses alcances.
Talvez nunca consiga. Como a gente faz pra religar os pontos da
costura quebrada? Eu gostaria de saber, mas não tenho linha alguma
ao meu alcance.

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