quinta-feira, 5 de novembro de 2015

"Me perdoe a pressa...


...é a alma dos nossos negócios!"

- Chico Buarque


    Ok, essa é a primeira tentativa, mas as palavras já povoavam minha cabeça desde a noite passada. Resolvi controlar meu imediatismo. Descansar as palavras e dar a elas o tempo certo de maturação. Eu sei, quase ninguém faz isso e, por isso mesmo, resolvi assim fazer.
   Hoje você me ocupou. Ou melhor, me fez uma visita como há muito não fazia. É engraçado como sua presença não me causa espanto, mas traz um incômodo que me desestabiliza. E eu tenho a plena consciência de que todo cuidado e dedicação dos últimos anos não valeram de nada. Basta você apontar na esquina para o mal se instalar.
    Não, com isso eu não quero dizer que sua presença me cause dor, muito pelo contrário. Toda vez que habita em mim, cresce uma vontade de querer consertar as coisas. Não, eu sei, não vai voltar a ser o que era, não tem como ser, isso tudo não passa de um pedido de desculpas. Quero que me desculpe para que eu também possa me desculpar pelos meus erros. Porque eu ainda não me perdoei, veja só.
    Isso tudo não é saudade. Nem arrependimento. Nem raiva. Já passou. Só hoje me dei conta. Demorou tanto pra acabar que o fim chegou e eu não percebi. A única coisa que me entristece nas suas chegadas é saber que não são recíprocas. Não te visito com a mesma frequência e isso sempre foi tão latente. Não consigo entender esses alcances. Talvez nunca consiga. Como a gente faz pra religar os pontos da costura quebrada? Eu gostaria de saber, mas não tenho linha alguma ao meu alcance.     

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