domingo, 5 de julho de 2015

Aqui jaz.


Ah, Zé, hoje eu choro porque me dou conta de que a vida é só isso. Uma sucessão de dias, em que uns querem viver mais e outros menos, ou nem tanto assim. A gente tem até um certo poder de escolha, mas quase sempre, e isso é o que mais me dói, quase sempre as coisas nos são tiradas sem uma pergunta prévia, sem direito de defesa. Te arrancam a felicidade sem te perguntar se a estrutura vai suportar. Até parece um teste de resistência. Ganha quem supera mais e eu não acho isso nada certo. Nem justo. Mas, com certeza, é doloroso. E não há remédio no mundo. Não há consolo para aquilo que se perdeu. Talvez reacostumar a alma seja o caminho, mesmo sem a gente querer ou saber direito.
Não me peça para ser racional, Zé, mas eu tenho sérias contas a acertar com Deus. E só queria que Ele me respondesse porque é tão difícil perder nesse mundo em que ganhamos tão pouco no fim das contas?! Ah, Zé, eu sinto falta das grandes alegrias, aquelas que nos acolhem como mãe em um abraço. Mas hoje eu sinto ainda mais pelas alegrias pequenas, que muitas vezes passam despercebidas, mas quando findam, acabam por deixar um vazio imenso. E eu ando cheia desses vazios.
Zé, hoje me roubara uma dessas alegrias, sem direito de resposta, último afago ou despedida. Me dói essa falta, pior, me dói saber que não tive escolha pra essa ausência em minha vida. Ah, Zé, me leva embora daqui. Não é justo pra ninguém, mas quase sempre me parece mais injusto pra mim.    

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