Então, talvez, por descuido ou displicência, bem do jeito de Oswaldo, a gente mereça tudo isso. Todo esse nada que acabou por ser aquilo que acreditávamos que um dia seria. Eu sei, confuso. Cansativo também. Não era amor. Nem de longe. Talvez desafio. Talvez aventura. Talvez mesmo, mera insistência. Mas não era amor. Não dava pra ser. Amor exige roteiro. Daqueles cinematográficos. Numa versão cotidiana. Talvez uma mera rotina fosse suficiente. Precisa também de papel principal, mocinho e vilão, personagens coadjuvantes. Você roubou a cena. Fez de mim plateia. Morri na personagem antes mesmo do desfecho. Amor requer trilha sonora. E eu joguei os discos fora. Deletei do HD. Passo sempre pra próxima.
Amor tem fotografia, lembrança, saudade com cheiro de verão passado. Tem cartão de natal, aniversário ou dia do índio. Tem apelido cafona e ligação fora de hora. Nós não tínhamos nada. Mas achávamos que sim. A gente viveu de insistência. É isso o que acontece quando se deseja mais do que necessário.
Não era amor, veja bem. A gente achou que sim. Era besta, eu sei, pura teimosia.

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