Que as palavras mal-ditas não nos roubem de nós mesmos. Não façam nossas almas prisioneiras. Que toda grande mentira venha acompanhada de um analgésico pra curar a dor da verdade tardia. E que a enxaqueca tenha um motivo biológico apenas. Que não precisemos de analistas, psicólogos ou cartas de tarô pra curar o coração partido. E que nossos domingos não sejam rotineiramente nostálgicos a ponto de não passar de domingos. Que a semana seja tão feroz e ativa quanto às férias de fim de ano. E que tenhamos tempo de dizer aquelas últimas coisas que só a gente sabe. Também, que possamos nos livrar de todo mal acumulado com o passar dos dias. Que a saudade faça uma pequena estadia. E que não deixemos que nos roubem a alegria de viver. Que possamos odiar sem ironia, e que a sinceridade espante quem passar por perto. Que Deus nos presenteie com, pelo menos, um ombro amigo. E que possamos rasgar o passado que não nos fez bem. Que não menosprezemos o azar, e não sejamos seus reféns. Que afastemos tudo o que nos faz mal e, se preciso, até nós mesmos.

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