É
uma pena ainda amar se já não gosto mais. Eu nunca estive tão errada e tão
certa sobre uma pessoa como estive de você. Embora as ligações tenham sido
cortadas e seu nome já nem conste mais na minha lista de contatos (o que muito provavelmente
também ocorreu com você), certos detalhes do dia-a-dia simplesmente não podem
ser mudados. Ainda. E não é pelo simples fato de não suportar assistir outra
comédia romântica, ou restabelecer atividades costumeiras, desviar o caminho
na volta pra casa, baixar a cabeça e afastar o olhar cada vez que enxergo a
mentira nos seus olhos agora tão rodeados de verdade. Não me restou muita
coisa, só minhas frívolas lamentações, constatações tardias do que você foi pra
mim e não para você verdadeiramente. Não existe mais. Perdi o menino estranho
em algum lugar no meio do caminho e, bem, o que vejo agora não se parece em
nada com o que foi um dia. Talvez nunca volte a ser, melhor assim. Sei que já
não se lembra do que foi, deixei sua vida sem aviso prévio ou recomendações.
Deixei porque nunca cheguei a ela, afinal de contas. Você ocupou demais meus
vazios, mas não me preencheu em nada, talvez tenha até esvaziado mais. Foi o
maior erro de um caminho que tinha tudo pra dar certo. E por isso me despeço
todos os dias. Amei, e me culpo incisivamente. Consolo-me vez ou outra na inútil
ideia de que algumas coisas são feitas para darem errado. Mas não sou uma
coisa, não soube usar isso ao meu favor ou contra você. Sobrevivemos, eu e meu
efeito holofote, você e seu alter ego
mesquinho. Mas isso não se resolve em um dia, um mês, cem anos. Simplesmente,
não se resolve. Nunca mais.

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