Foram 500 dias. Um pouco mais. Agora eu apenas curo as feridas. Não é tão difícil depois que passa. Foi a conclusão que cheguei tarde da noite, depois de perceber que não haveria outra forma de ser. Mais vale conviver com a dor de uma verdade a ter que juntar os cacos depois de uma grande mentira. A minha maior mágoa é saber que poderia ter sido bem diferente se as palavras certas fossem usadas em momento próprio. E até hoje eu procuro um sentido pra tudo isso se não era nada. Vez ou outra, recordo-me de todas as tentativas furtivas de entender a realidade tão estúpida em que me envolvia, mas pior do que o cego que não quer enxergar, é aquele que é impedido de ver. Eu não vou me escusar cem por cento da culpa, mas há encargos que só competem a ele, e disso eu não abro mão de falar. Queria a oportunidade de, ao menos uma vez na vida, ter uma conversa franca, mas hoje não faria mais sentido. Rezo e espero, pacientemente e agonizante, que outros 500 passem, e eu possa me desfazer de uma vez dessas páginas tão rabiscadas e vazias. Vai levar um tempo, é natural. Não vou dizer que foi tão ruim assim, mas de bom nada sobrou. E, no fim das contas, o que importa é o que fica. Não ficou saudade. Apenas vontade de nunca ter acontecido. Mais outros 500, é meu destino.
