domingo, 21 de outubro de 2012

Faltava abandonar.



E eu já não me espanto com a vida batendo na vidraça. Não me causa incômodo o choro manso chegando ao canto dos olhos, nem o tom mais austero e atrevido na voz. Certas mudanças são inevitáveis, por serem um tanto afagáveis. Não aceito mais me fazerem esperar, há uma certa pressa em querer organizar as coisas de agora em diante. Não importa o rumo que a vida tomou, não importam as pessoas que foram e as que ficaram, existe uma parte de mim que clama por uma dose de equilíbrio santo e vivo. Chega de enxergar o que não existe e esperar o que não vem. Foi preciso o corte total de informação, telefone mudo, contatos apagados, saudades esquecidas. Eu não vou negar que sempre tive medo do novo, mas percebi que o velho já me machucara demais. Comecei uma dieta, cortei as mentiras e a ausência de companhia, em quatorze dias, ganhei duas semanas. Haja fé e as coisas melhoram. Quero crer nas coisas de uma forma boa, de uma maneira ou de outra pra todo mundo. Não importam os barrancos despencados, não importam as noites sem dormir e o dia de ontem nas costas, a gente aprende uma vez na vida que é preciso dizer mais não do que sim. Não existe otimismo que resista a um copo de egoísmo. E é negando pra uns que a gente diz sim pra vida, que a gente aceita o que se é, e deixa de lado a mania de fingir e recusar intenção. Melhor é viver assim pro meu gosto.