A cada dia que passa, mais me convenço de que o desperdício da vida está em tudo aquilo de que nos privamos. O amor não dado, a força evitada, a prudência egoísta de quem nunca arrisca. Esquivando-se assim, até podemos não sofrer. Mas também não somos felizes. E, no fim das contas, ninguém é feliz como diz ser. Basta sabermos lidar com essa de solidão, paciência e paz. Das três, nós devemos buscar apenas a última. As duas primeiras são fato e consequência. Devemos apenas preencher os espaços das estantes, com a dose certa de saudade do que passou e dos que passaram. Também não devemos nos levar muito a sério, nem os outros. Algumas pessoas têm uma capacidade enorme de dramatizar a própria vida e se dizer perdida nela. Eu mesma, daqui a pouco chega novembro e ainda nem cumpri as promessas de fevereiro. Mas aceitei isso de que "felicidade" é que nem colcha de retalhos, sempre em pequenos pedaços de vida. Não é depressão, exagero tolo e comiseração de quinta, meu único problema se resume a encontrar e esquecer. Depois disso, tudo mais se torna indiferente. Difícil é passar, deixar andar e caminhar junto. Quem diria que mudar o verbo pro passado faria tanta diferença assim na vida de alguém.

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