quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Ré-começo.



       Ainda que eu amanheça radiante como o dia, intempéries me acometem vez ou outra. Nem sempre consigo sustentar os raios de sol. A tempestade parece mais forte, me acomete de tal forma que, não importa o esforço, o conflito, a luta, a persistência. Serei sempre vencida, traída por mim mesma em pensamento, em gesto, em ato. Porque fracamente percebo que a pouco resisto. Que minhas pressas e urgências me sucumbem. Que o jardim perece antes mesmo de florescer em mim. Não há tempo pra maturação. Sempre que estou chegando perto de conhecer o que sou e, por assim dizer, ser mais eu, sou puxada de volta, ou sou arremessada contra aquilo que tanto temo. Quantos medos, meu Deus, me povoam, quantas dores em mim acolho e não compreendo. Sempre pareço sem escolha e ao mesmo tempo faço análise do que me sobra, ou me falta, não sei por certo. Quantas ausências me preenchem, me amarram e me prendem a fatos e pessoas que já não se fazem presente, ou que nunca fizeram. Sempre tive a impressão de que me demoro de mais nas coisas. Persisto mais do que é necessário, não sei perder pra ganhar experiência. Careço de afeto, e mais ainda de compreensão pro mundo. Mas eu sofro de urgências, de sentidos e porquês, quero rumo, direção certa e constatações precisas. Quero saber quem fica e quem parte. Quero saber se um dia volta. Não quero ser pega de surpresa, traída por destino ou fruto de acaso. Preciso de consistência. Mas ninguém sabe me oferecer isso. Aliás, ninguém está disposto. Então morro em mim por pressa de vida. Por custo elevado pra condição vazia. Me pego sempre esperando condução que nunca chega. Corro mais, e ainda assim não alcanço, ou perco de vista. Cansei de perder. De mim, dos outros. Cansei de especulações, predileções, condições e embaraços. Não quero mais afetar-me disso. Quero enxergar a realidade sem que me pese mais que o necessário. Sem quem eu perca o pouco que tenho. Sei que preciso partir, soltar as amarras. Mas Deus, porque é tão difícil? Porque muitas vezes chorar até cansar não resolve meu lamento? Se dar um passo na direção necessária já é chegar, porque sempre me encontro voltando, ficando, deixando? Dá-me a leveza de, ao menos uma vez na vida, aprender as coisas direito. 

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