E é isso o que eu digo. Depois do
fim não há justiça que reestabeleça os laços. Você até pode vir com essa
conversa de que as aparências devem ser mantidas, a naturalidade. Que a gente
não pode abrir mão do bom senso nessa hora. Mas não existe pilulazinha azul que
te mantenha apático numa situação assim. Então, é desse jeito, vive-se uma
tragédia por não dispensarmos os esforços necessários que acabariam na mesma tragédia.
Mas acabariam. Preferimos passar de
mentiroso a fraco, confabulamos fatos, e assim escondemos pistas e desfazemos
os rastros, pra desencontrar mesmo. Desestabilizar. Desarranjar e alinhar o
prumo. A gente evita o esbarrão, muda o
programa de sábado à noite, o gosto musical e, se brincar, até a roda de
amigos. Tudo pra trocar de ritmo. Nem sei dizer ao certo se mudamos de hábitos
ou os hábitos é que não nos pertenciam e apenas queríamos agradar os outros. Agora
a emoção foi represada, a fonte secou. A questão é que vai ficar assim de um
jeito ou de outro, e de qualquer forma. Passarão os anos. Os dias. A vida
apontará em cada canto. Volta e meia, a gente até idealiza um reencontro,
aquele clichêzinho básico de sessão da tarde. E no fundo, todo mundo sabe, não
vai acontecer. Não há justiça no mundo pra mudar a história.

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