domingo, 19 de agosto de 2012

Na esquina, lá na frente.



       E é isso o que eu digo. Depois do fim não há justiça que reestabeleça os laços. Você até pode vir com essa conversa de que as aparências devem ser mantidas, a naturalidade. Que a gente não pode abrir mão do bom senso nessa hora. Mas não existe pilulazinha azul que te mantenha apático numa situação assim. Então, é desse jeito, vive-se uma tragédia por não dispensarmos os esforços necessários que acabariam na mesma tragédia. Mas acabariam.  Preferimos passar de mentiroso a fraco, confabulamos fatos, e assim escondemos pistas e desfazemos os rastros, pra desencontrar mesmo. Desestabilizar. Desarranjar e alinhar o prumo.  A gente evita o esbarrão, muda o programa de sábado à noite, o gosto musical e, se brincar, até a roda de amigos. Tudo pra trocar de ritmo. Nem sei dizer ao certo se mudamos de hábitos ou os hábitos é que não nos pertenciam e apenas queríamos agradar os outros. Agora a emoção foi represada, a fonte secou. A questão é que vai ficar assim de um jeito ou de outro, e de qualquer forma. Passarão os anos. Os dias. A vida apontará em cada canto. Volta e meia, a gente até idealiza um reencontro, aquele clichêzinho básico de sessão da tarde. E no fundo, todo mundo sabe, não vai acontecer. Não há justiça no mundo pra mudar a história.

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