Fatalmente despertei do pesadelo
que eu mesma criei. Abri os olhos pra uma realidade trágica disfarçada de
sentimentalismo acomodado. Exacerbado. A gente peca por sentir demais, e por
assim deixar ser. Antigamente eu costumava condenar quem era vítima do descaso
alheio. E foi aí que traí a mim mesma. Pois passei a me encontrar na melodia
das canções. Na personagem do romance. Tratava de me procurar em cada canto
desapercebido da sala de jantar, da festa, da conversa vazia e da situação
controversa. Sofri mais porque me faltou coragem, me sobrou vontade pra
persistir. Foi aí que perdi demais. Fadei minha vida ao constrangimento fingido
e à vergonha avessa. Porque o jogo sempre se virava contra mim. E quantas e
quantas vezes eu me ferrei, Deus, culpando meu gênio forte e impaciência solta
de escorpiana. Por pior que fosse, me viciei a uma tristeza que não era minha, tornei-me
submissa a uma emoção tão mesquinha, tão rude. Não soube perder. Ou melhor,
nunca reconheci que nem a ganhar eu cheguei. Então, eu sempre acreditei que era
algo que eu tinha feito. Mas bastou uma frase torta e casual numa madrugada mais gélida do que de costume. Não faria
diferença alguma, a verdade é essa, e assim vai ser. Acabaram-se as matinês de domingo. Acabaram-se as depressões de sábado. Embora eu ache que nem precise, foi só mais alguém que
eu conheci. Sem mais covardia. Sem mais controle. É hora de deixar passar o que já
foi embora. O que nem sequer chegou.

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