quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Ainda somos os mesmos. E vivemos.



        E essa é só pra dizer que não escrevo mais em ti ou pra ti. Cansei das vezes que me desfiz nas palavras, na tentativa frustrada de te trazer perto, de voltar o tempo em mim e poder de novo, quem sabe, caber no seu abraço. Eu nunca coube, sempre me pareceu apertado demais, cada vez que tentava me acomodar, me doía as costas. E eu me recordei do quanto era sozinha também naqueles dias, naquelas horas que antecediam sua chegada e consolavam sua partida. Sempre cedo demais pra acabar. Me disseram que pra amar era preciso dedicação. Mentiram. Preciso mesmo é coragem, amar requer bem mais que uma vã filosofia. Porque abala a fé, corrói a estrutura.  Desata alma e afasta sono. Desperta o choro e afoga o ego em seu próprio desatino. Não se grita saudade não, aprendi isso também. Quem mais grita menos é ouvido. E a vida não para, não é?! Mesmo quando a tristeza se instala. Mesmo que a saudade sufoque e a ausência aprisione. Semana passada, enquanto amaldiçoava o dia pelos esforços inúteis, por um instante me veio à mente a ideia de poupar os outros disso. Calei-me sem muito esforço. Fui recompensada. E desde então me permiti livrar-me desses fantasmas assim, calada em alma, pulsante em vida. Deixei meu amor morrer dizendo que sentia sua falta. Engraçado isso depois de tanto desencontro. Depois de nunca ter se encontrado. Por fim, me veio à tona que morreu sem nem ter sentido vida, como natimorto puxado do ventre da mãe. Foi mais de mim, e é só isso. Enquanto eu troco de caminhos e faço de você mais um conhecido, me dei conta do quanto nossa ligação foi desatada por termos perdido, lá atrás e desde sempre, tanto tempo.

“Você me pergunta
Pela minha paixão
Digo que estou encantada
Como uma nova invenção
Eu vou ficar nesta cidade
Não vou voltar pro sertão
Pois vejo vir vindo no vento
Cheiro de nova estação
Eu sei de tudo na ferida viva
Do meu coração...”


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