Eu sei de mim e dos meus, por
isso, cuidado, não vou além do que me é permitido. Não corro atrás do que não
quer ser alcançado. Dou a brecha possível, não mendigo, nem migalho. Se me
falta decência e me sobra desencanto, saio de fininho, busco outro plano. Tenta
entender de uma vez minhas promessas, sou fiel a sentimento, ao que realmente
me interessa. Se você quer mais que isso, ache o meio que completa. Não tem
segredo, cuido bem do que me resta, mas não venha alugar minha cabeça com ideias
desconexas. Não escuto meia verdade, nem dou trela pro que andam fazendo, sei
de mim, do que tenho, e é a isso que me apego. Sou acaso e pouco caso, vejo
além e nunca falo. Poupo desafeto e aborrecimento, já era tempo das coisas
mudarem. Vou embora, volto, esqueço e não deixe esquecer. Vivo perto, quase
junto, mas sei também viver sem ter. Ninguém vai resolver o problema do outro,
por isso dou fim pro que não tá terminado. Se demorar, deixo de lado, pouco
atento, porque meu tempo, caro amigo, é quase raro. Vê se entende a minha
história, vê se aceita o meu jeito. Sei ser doce quase sempre, mas posso ser seu
mais amargo pesadelo.

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