domingo, 29 de julho de 2012

Vilipêndio.



      E só na poesia eu me encontro. Te encontro, vejo nós e o que somos, fomos ou seremos e seríamos se não fosse o causídico destino de que viver dá bem mais trabalho e menos contento. Aqui eu congelo meu tempo, meus dias, pelos instantes necessariamente eternos, a fim de dar mais uma chance ao seu burlesco coração maltrapilho, que sempre sai às voltas, em meio à mandriice, com a pressa de um jatinho e a leveza de um pássaro. Eu perco seus passos antes mesmo deles chegarem. Logo após se esvaírem. Me perco, te perco, tantas e tantas vezes ao longo do dia. Da semana. Do mês, quiçá de um ano perdido. Engulo o choro, transporto a alma, carrego os dias e deixo-me ser carregada. Acostumo em mim mais ausências e cultivo largas vagas dos dois lados. Deixo as luzes quase sempre apagadas. Ultimamente tem me bastado muito pouco, bem menos que da última vez. Não exigi mais do que não me oferecia o básico. As circunstâncias motivadamente não deram certo. Talvez nunca venham a dar.  Abri fecundos abismos. Não há em que sustentar minhas verdades incômodas e suas mentiras confortas. Nem procuro mais explicações kantianas pra te entender. É natural, não é? Assim como a vida. É só questão de ser, de ter e querer ser.  A gente não precisa de nada, nem ninguém, no fim das contas. O coração?! Esse só quer estar perto. 

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