Haverá o dia em que tudo desse
meu presente-passado-vivo não passará de um borrão no pensamento. Aliás, assim
tem se tornado, de uns meses pra cá, tenho percebido que as coisas boas e bobas
ficaram pelo caminho. Raramente me ocorrem nos dias comuns. Não é que as coisas
ruins tenham permanecido, é só que pesam mais do que eu posso aguentar. Mas logo
passa, já dizia o poeta, felicidade é só
questão de ser. Tenho aprendido a
ser mais, a me reinventar, a mostrar o que nunca fui, e principalmente, a ser o
que sempre fui e nunca mostrei. Ok, tenho assustado alguns, tenho afastado
também, mas só o que perdeu interesse, ou o que quero que perca. Minhas
saudades, tenho separado por grau de elevação e constância, que venham à tona quando
pouso a cabeça no travesseiro, e, antes que me sufoquem, que o cansaço as vença
e me devolva a rotina de um dia novo. Chega da falta do que nunca tive, de
buscar vestígios, códigos, sinais e mensagens. Chega de dilacerar as entrelinhas.
Não sobrou nada, constatei isso. Fantasiei demais e só me resta seguir. É
preciso. Não desejo mal, penso com
carinho e conservo aquilo que me despertou pra todo esse sentimento. Que adormeça
agora, que pereça em mim toda essa vontade que foi de um só. Que não é mais, e
não pode ser. Porque, estrategicamente, um dia aprendemos. Numa fração de
segundos, percebemos que não dá pra ser feliz com quem não aguenta nosso pior. Porque você pode ser o seu pior durante muitos
dias. E muito mais do que paciência é preciso pra se aturar alguém. Não é fácil
permanecer quando alguém te quer longe. Seria aquilo que chamo de necessidade
fumegante e urgente de reciprocar o
que nos faz falta. Mas não caio na armadilha de “quem sabe um dia”; sem
expectativa furta de viver no futuro o que se quis no passado. Quero que me levem
do seu jeito e do seu modo. Eu mesma, não carrego nenhum peso pelo simples fato
de gostar, às vezes, de um clichê. No fim das contas, somos feitos dos amores e
desamores de uma vida. O resto foi só distração.

Nenhum comentário:
Postar um comentário