Não perca seu tempo em desculpas
esfarrapadas e explicações inexatas a essa altura do campeonato. Nós perdemos o
jogo, isso é fato, não há mais o que mudar depois dos 45 do segundo tempo. Nós
gastamos o que tínhamos e desgastamos o que sentíamos. Hoje sinto que perdemos
mais porque perdemos sozinhos, cada qual no seu mundo, sem dar o braço a torcer.
E olha que eu ainda tenho tudo ensaiado, na ponta da língua, o discurso
perfeito pra uma hora que nunca será exata. Pra uma vida que só foi imaginada,
porque viver, meu amigo, dá muito mais trabalho, requer muito mais esforço e
vontade própria. Requer coragem, força, ânimo, e não, nós não tivemos nem um
milésimo do que precisávamos. Da minha
parte, esperei demais, deixei ao bel prazer, sossegado, pra quando você
despertasse pra vida, nos olhasse com outros olhos. Foi aí que eu errei demais.
Porque não percebi que amor contado só de um lado termina por ficar só mesmo,
que a linha é tênue e é contínua, ainda que eu faça voltas, cá estarei sozinha.
E não preciso lhe dizer que quase sempre você me vem tarde demais. Fica sempre
lá no seu canto, quieto, até me bater a leve impressão de que não é nada além
de mim. Mas é aí que você me afoga, você me traz de volta praquilo que custo a me
livrar, por algum motivo que até hoje não me ocorreu sensatamente na memória.
Então eu confabulo histórias, e destruo meu presente negro pra reviver meu eu
passado e idealista que insiste em te amar em versos, palavras e cantigas. Mas
a vida já se encarregou de gastar todas as cotas e doses de descuido. De tanto
descuidar, resolvi cuidar de mim, encarar de uma vez por todas que não fui só
eu que perdi. Em meio a tanto sentimento e desatenção, em meio à bagunça que
ficou a minha vida, e ao destempero, esqueci que você também perdeu, me
perdeu pra você mesmo.

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