sexta-feira, 29 de junho de 2012

Alento.




         A pontualidade com que carrego a vida faz de mim escrava dela. Não, não é que eu exija demais ou busque a perfeição em tudo, mas convenhamos. Nós só temos uma vida, até que me provem o contrário. Uma vida, pouco mais de 80 anos se você der muita sorte, diga-se de passagem. Me diz, o que a gente faz com pouco mais que 29.200 dias?! Ou até menos, ninguém vem com prazo de validade. Vendo as coisas dessa forma, começo a entender a urgência de vida que os anos dourados nos traz. Ninguém me garante outro carnaval, porque tenho eu, reles mortal escorpiana impaciente, vinte e poucos anos tão mal distribuídos. Fui mais quando deveria ter sido bem menos. Fui muito pouco quando me era preciso ser demais. E é por isso que cotidianamente tento me agarrar à ideia de que tudo tem seu tempo certo. Mas aqui dentro pulsa desesperadamente essa agonia por mudanças drásticas. Quem sabe ser arrematada, ou arremessada pra outro canto. Quem sabe uma catástrofe ou uma forte dose de sorte me salvasse dessa desesperança doméstica. Porque sentar e esperar o trem se tenho condições suficientes de seguir andando?! Isso não é justo. É por demais errado pra ser seguido, compreendido, aceitado. A gente já aceita muita coisa sem ser questionado, será que não podemos, ao menos uma vez, ser consultados quanto à próxima parada?! Por exemplo, poderíamos perfeitamente definir quem fica e quem sai. Mas não é tão fácil assim, é?! Quer dizer, você fecha portas, janelas, isola toda e qualquer brecha pra não lembrar, não sentir, pra não aproximar nada que reconstrua laços, que mantenha anseios. E aí, vocês se encontram, ah se encontram sim. Pode ser num simples esbarrão, numa foto antiga esquecida em um livro, num sonho, acredite, até em sonho tenho tido desses encontros (des)agradáveis. Então, no fundo a gente não escolhe nada mesmo, as coisas nos são impostas e expostas. Pagamos pra ver, sem nem sabermos o preço de antemão. Custa muito?! Na maioria das vezes sim, acredite, tenho um débito altíssimo para quitar ainda. E não, não vai adiantar muita coisa choramingar e mendigar afetos e afagos. Mais cedo ou mais tarde alguém cobra a dívida. Ou você se cobra, não há como fugir. Não há como ser covarde nessa história. Até pra desistir, meu Deus, até pra desistir é preciso coragem. 

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