Então, de que me adiantam as
palavras, Zé? Você me conhece, sabe bem, proferi-las não é o meu forte, nunca
lidei bem com elas sendo expostas. Eu não, ouço-as mais, ou escrevo, e assim as
engulo, demoro a digerir. E como demoro, chega a me causar indigestão muitas
vezes. Prolongo-as mais do que o necessário, e acumulo-as sem nenhum critério,
ou todos em vão. Tenho por assim dizer um acervo tão imenso e desnecessário,
povoando-me e apavorando-me. Ah Zé, é muito medo pra pouco coração, quisera eu
poder medir essa sensação, é tanto espanto, tanta condenação. Queria desistir
de vez sem me preocupar com a consequência. Mas ela é por demais notória pra eu
deixar passar assim. Entende Zé? Não sei, pergunto isso porque no mais, ninguém
entenderia. Você sempre faz esse esforço, e eu não encontro palavras pra dizer
o quanto importa pra mim. Mas eu não falo, Zé, eu penso, escrevo. E ainda assim
não consigo encontrar em meio ao meu arquivo essa palavra que te defina. Ah Zé,
deixa pra lá mesmo, esse amontoado não me seve de nada, fico impressionada com
o volume e o vazio que elas podem significar no espaço e no tempo.

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