Sinto muito não conseguir
perceber na clareza do dia o sentido das coisas que acontecessem ao redor. Eu
sei, não é difícil, mas nem por isso parece menos complicado aos olhos humanos.
Instintos dizem mais que ideias, acredite, tenho uma fé cega a eles, embora
tape os ouvidos vez ou outra, e acabe por constatar aquilo que gritava em mim.
E mais uma vez me apego àquela promessa inútil de salvação e redenção de dar
asa ao coração. Mas não entendo esse propósito avesso de se aprender com erros.
Nada que se compare à perfeição, mas tenho a vida como algo a ser compartilhado
de forma certa, com retidão. Vai ver meu jeito britânico me impeça de ver a
beleza nas circunstâncias, a vida às vezes me é tão estranha, parece pesar
demais por sobre os ombros. De fato, vez em sempre me ocorre a ideia de pedir
contas dessa vida, descumprir cláusula de contrato abusiva, e quem sabe assim
entender ao certo esse magnifico propósito de completar o ciclo, de cumprir
missão. Às vezes tenho a leve impressão de que me enviaram pro lugar errado, ou
me esqueceram na penúltima estação. Sinto que, por mais que eu tente, sou quase
sempre passado, meu relógio está atrasado, estou sempre amanhecendo enquanto o
sol já é escuridão.

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