E se depois de tudo isso eu me
fizer refém, que meu inconsciente se encarregue de salvar o que ainda resta.
Que nenhum gesto meu intimide sorriso, que nenhuma palavra maltrate coração,
que eu não mais acorde com medo, ou machuque a espontaneidade de alguém. Que eu
vá embora antes de ser saudade, e que a saudade não se demore em mim sem
motivo, ou pelos motivos errados. Que eu saiba esperar, e que a paciência não
me torne alheia de minha vida. Que eu complete meus dias com vida e histórias.
E que a mentira não doa tanto da segunda vez. Nem da terceira, que ela se cale
lá dentro e pare de importunar. Que a raiva não me cause arritmia, nem desfaça
meu encanto, que não me derrame lágrimas sem um motivo plausível e aceitável. E
mesmo que eu impeça, que as coisas durem, que o tempo passe, leve o que for
preciso, e traga o que for conexo. Que o sentimento se decida dentro da gente,
que a dor de antes seja esperança de hoje e alegria de amanhã, quem sabe. Basta
um pouco mais de compasso, que meu desgaste seja compensado antes mesmo de ser
sentido. Que a distância seja prova viva da presença que um dia se fez, e que
as vontades sejam saciadas de acordo com a necessidade e o merecimento. Que,
além disso, eu saiba cuidar de mim, já que não soube cuidar de nós. E que você
também se cuide, que a gente se cure. Não preciso mais lembrar, nem amar o que
já não é, o que nunca foi, que eu me despeça sem medo e apego, que despedidas são
apenas começos. Que eu me desfaça do mal que lhe causei e me causei. Que eu não
mais me prenda, me acanhe, me perca. Que eu não espere, e, assim sem avisar, me
pegue desprevenida, que algo não planejado possa vir a vingar.

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