sábado, 12 de maio de 2012

Olhe bem pra você.




      E se depois de tudo isso eu me fizer refém, que meu inconsciente se encarregue de salvar o que ainda resta. Que nenhum gesto meu intimide sorriso, que nenhuma palavra maltrate coração, que eu não mais acorde com medo, ou machuque a espontaneidade de alguém. Que eu vá embora antes de ser saudade, e que a saudade não se demore em mim sem motivo, ou pelos motivos errados. Que eu saiba esperar, e que a paciência não me torne alheia de minha vida. Que eu complete meus dias com vida e histórias. E que a mentira não doa tanto da segunda vez. Nem da terceira, que ela se cale lá dentro e pare de importunar. Que a raiva não me cause arritmia, nem desfaça meu encanto, que não me derrame lágrimas sem um motivo plausível e aceitável. E mesmo que eu impeça, que as coisas durem, que o tempo passe, leve o que for preciso, e traga o que for conexo. Que o sentimento se decida dentro da gente, que a dor de antes seja esperança de hoje e alegria de amanhã, quem sabe. Basta um pouco mais de compasso, que meu desgaste seja compensado antes mesmo de ser sentido. Que a distância seja prova viva da presença que um dia se fez, e que as vontades sejam saciadas de acordo com a necessidade e o merecimento. Que, além disso, eu saiba cuidar de mim, já que não soube cuidar de nós. E que você também se cuide, que a gente se cure. Não preciso mais lembrar, nem amar o que já não é, o que nunca foi, que eu me despeça sem medo e apego, que despedidas são apenas começos. Que eu me desfaça do mal que lhe causei e me causei. Que eu não mais me prenda, me acanhe, me perca. Que eu não espere, e, assim sem avisar, me pegue desprevenida, que algo não planejado possa vir a vingar.  

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