Antes lidar com a angústia de ter
perdido a oportunidade, a ter que suportar as consequências da escolha feita.
Não é só o arrependimento, mas com o amor é assim mesmo. É uma via de mão
dupla, uma chama para aquecer, que pode muito bem incendiar a sua casa. Ô, meu
amigo, a gente não tem escolha, ou se corre o risco, ou ele passa por cima. E
nós sempre temos aquela estúpida ideia de última hora, de deixar as coisas
acontecerem, de dar tempo ao tempo e ver do que ele é capaz. Além de nos roubar
vida, o tempo não faz mais nada. E suas teorias caem por terra, seu mundo
desaba, e você passa a carregar mais do que pode nas costas. Fora a vergonha, o
cansaço, a sensação de inutilidade e fracasso, você tem que aguentar as
olhadelas maldosas. Seus defeitos são sempre maiores aos olhos dos outros.
Então lhe restam poucas ou quase nenhuma opção. Você se mantem de pé, com todo
peso nas costas, ignora os apontamentos e taxações, sorri mais do que pode, e
menos do que deve, e resolve priorizar aquilo que interessa. Começa o que eu
chamo faxina da época. Reorganiza sentimentalmente lembranças, descarta
pessoas, saudades, ausências que só consomem você. Quem sabe até uma mão de
tinta nas paredes, um corte de cabelo novo, roupas, vale tudo, até mudar de
planeta (quem dera pudéssemos financeiramente custear essa aventura). Só não dá
pra ficar parado. Parado cansa, uma hora ou outra, a rotina pesa mais que a
obrigação. E você começa a abrir mão. Passa a ponderar as perdas e ganhos que
uma omissão pode trazer. Uma tarde tranquila, uma boa noite de sono. Evitando
algumas lágrimas já me é mais que suficiente. Fica confortável dentro dos
limites que o senhor compromisso te permite. Não é muito, mas em algumas vezes,
dá pro gasto. E volta e meia você se pega pensando se é mesmo merecedor de
tamanho castigo. O que foi que fiz? Aquilo martela sua cabeça nas horas mais
propícias e menos convenientes. É meu amigo, seu mal foi esse, você fez a
escolha errada no momento certo.

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