E por onde você esteve enquanto fadei os meus dias ao tédio e a caótica rotina de quem não sabe o que é viver? Quantas vezes desisti pelo simples fato de você me deixar bem claro que eu não conseguiria assim como acreditava que podia. Sempre conseguiu um jeito de roubar o brilho de tudo o que me animava. Você me enfraqueceu, resolveu invadir minha privacidade cega e desvirtuar meu sistema já mal arquitetado. E eu, leda e tola, aceitando de bom grado migalhas do seu sarcasmo, agarrando-me a estas volúveis esperanças desbotadas que desabrochavam num sorriso disfarçado. Se eu soubesse há três anos que assim ia ser, nunca teria dado as costas, nem me atreveria a cogitar sonhos e possibilidades, a confabular ideias. Você viu isso, eu era toda sonhos, vontade, virtude. Eu tinha tudo o que queria nas mãos e deixei escapar. Deixei por que você me assegurou: o tempo passa, as coisas vão se acertar. Me diga, onde estão seus acertos? Estou numa luta comigo mesma, de rounds infindáveis, estou cansada de me combater e me reerguer. Quando é que vai parar de encher assim meu juízo de preocupações que só corroem a mim, ninguém mais liga pra isso. Estão todos seguindo suas vidas inúteis, crentes de que eu deveria fazer o mesmo. Que teste de resistência é esse, não dói mais, não sinto, não incomoda. Vai assim como volta. Amorteceu já, acomodou, sem hematoma, cicatriz viva, sem estalo ou imobilidade. Tá tudo assim passado mesmo, gasto e recostado. Você não vai me ver melhor, nem hoje, nem daqui a um ano. É tudo o que tenho a oferecer, Coragem. Você não devia mais me impedir de viver.

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