Não precisa me lembrar, não vou fugir de mais nada, sei que no fim das contas o que faz falta mesmo, o que dói bem fundo, é aquela saudade simples: uma música pra todo pôr-do-sol, seu pai te ensinando a andar de bicicleta, seu primeiro dia de aula, as brincadeiras na casa da sua amiga de infância, os segredos de uma que se tornavam de quatro, o caminho da volta para casa. Mas o tempo é sempre voraz com essas coisas, ele se apossa de tudo. E você tem que aceitar, sem revolta, chorar a perda do que não pode ser modificado. Se fosse fácil, todo mundo saberia o caminho certo de como fazer. Viver não é assim tão simples, a gente complica mais, às vezes, não há dúvidas, mas não é fácil quando só as coisas boas passam. Eu sei, todos nós temos correntes das quais queremos nos livrar. O difícil mesmo é encontrar o principal: o ponto final. Sem choro, sem fim, sem saudade. Só hoje me dei conta disso tudo, de que passado a gente não mata, não esconde, não enterra, não esquece. Passado a gente deixa passar, ainda que doa.

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