Então, Deus, me explica como é isso de continuar mesmo quando a gente não quer? Porque eu não quero, não mais, seguir com tudo isso que chamam de vida. Acho enfadonha, acho que cobra demais de mim, e muito pouco me recompensa. Parece que suga aquilo que eu tenho de melhor, e quando me dou conta, já não sou tão boa assim quanto acreditava ser. Porque quase sempre sou descartada. Sou necessária enquanto tenho algo a oferecer, mas eu, eu mesma, carne, osso e petulância, canso as pessoas, as perco sem ao menos ganhá-las. Eu já nem conto sonhos e fantasias. Nem amigos, Deus, vejo meu círculo cada vez mais estreito, cada vez mais vazio. Eu não sei lidar com isso. Não vejo saída na encruzilhada em que me encontro. Já pensei, parei por horas e pus as cartas na mesa, minhas opções são tão poucas. São tão arriscadas e ao mesmo tempo tão estúpidas, que me levam a crer que tudo isso é mais do que inútil. E as pessoas me desafiam por tão pouco. Me acusam sem, ao menos, ouvirem meia explicação minha. E meu direito de defesa, não é assim que a lei dos homens reza?! Eu ando, ando e tento enxergar outros caminhos. Mas sempre caio por terra com essa mesma ideia, o fim me parece o meio mais certeiro e definido pra isso tudo. Nunca fui a favor de términos, o Senhor bem sabe, sempre prezo por uma chance, ainda que minha intuição me diga o contrário. Mas eu dei segunda chance ao que não deveria ter nem a primeira. Por isso agora corto o mal pela raiz. Não me diga que estou mais uma vez errada, a gente erra por audácia, por intento em acertar. E se erro, ao que me consta, o maior trauma recai sobre mim. Se fiz mal, foi muito pouco, também não me escuso de certas culpas. Aceito-as sem mais contestações. E aguento o castigo que me é imposto, ainda que reclame por demais dele. É que compreensão requer força, e outra dose e tanta de coragem. Me faltam as duas, e por assim me encontrar, me vejo vazia pra esse mundo cheio, ou cheia de mim. Eu sei Deus, é só mais um desabafo entre tantos outros de um filho seu que se diz injustiçado. É só que, às vezes, eu tenho a leve impressão de que minhas lamúrias não são ouvidas.

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