Não estou bem, é que hoje me incomodou mais aqueles casos e acasos que me povoam e apavoram. Eu bebi tristeza a semana inteira. Me doeu na carne e na alma. É passado demais pra abrigar, é pavor demais pra enfrentar, é razão demais pra afrontar. Sinto que, por mais que eu tente, por mais que eu queira, as coisas boas já não me acontecem mais. É esperar demais da sorte não fazer nada. E temo que isso nunca se vá. Pior, que isso tome conta de mim, porque confesso já não mais ter forças, e nem ao menos sei se quero mesmo lutar contra. Me deixaram errada demais. Fizeram-me de um jeito errado. Eu paguei demais pelo que nem queria. Fui levando, sempre com a triste crença de que as coisas melhorariam. Mas não foi assim, e temo por nunca ser. Sempre tive que entender o outro lado, engolir orgulho e baixar a cabeça, errada demais. Era só mais uma mágoa pra encaixar em algum canto. E eu arrumo, arrumo armários, gavetas, estantes, prateleiras, sonhos e planos. Eu organizo meus livros em ordem alfabética e catalogo meus discos em ordem de preferência. Guardo correspondência vencida e fotos desbotadas de dias vivos. Eu deixo tudo no lugar, mas não me vejo nele. Eu não encontro meu canto, meu mundo, não reconheço meu eu em mim mesma. Pode isso?! Tanto pronome numa só oração e nada se encaixa?! Nada corresponde?! Eu ontem me procurei mais uma vez naquele espelho, talvez escondida, com medo do rumo que minha vida tomou. Mas não estava lá não, e não consigo recordar em que canto eu me esqueci em meio a essa confusão.

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