terça-feira, 27 de março de 2012

Livro de cabeceira.

           
        Eu queria conhecer alguém que não me dissesse nada, mas escrevesse todos os dias para contar seu dia. Alguém que me surpreendesse com versos e rimas em vez de me trazer algum presente caro. Que me mandasse flores vez em sempre, com um cartão manuscrito e meia dúzia de palavras bobas. Seria um charme. Alguém que, assim como eu, quando estivesse chateado, simplesmente sentasse ao meu lado e rabiscasse uma ou duas frases insólitas. Queria um abraço silencioso, cheio de palavras não ditas, mas sentidas. Canções na ponta da língua que falariam por nós. Mais que isso, alguém que, com um olhar, soubesse tudo o que se passa comigo e flagela minha cabeça. Alguém que me trouxesse livros, que me levasse à biblioteca. Seria nosso programa favorito. Mais que isso, teríamos nossa música, nosso filme e nosso livro. Tudo assim, ensaiado e encaixado como um quebra cabeça de cem peças. Seríamos de todo perfeito pra imperfeição do outro. Seria todo esse silêncio, porque ele me mostra o quanto faz tempo que palavras me são inúteis. E como eu anseio que um pouco disso tudo possa vir a ser verdade um dia. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário