domingo, 18 de março de 2012

Hora de partir.


     Minha vontade é de fugir às vezes, com meus livros e músicas na mochila, um carregamento necessário de barrinhas e chocolates, uma muda de roupa e uma câmera fotográfica. Ir pra não mais voltar. Cansei desses tempos daqui, dessa temperatura mesquinha, da mesma paisagem e pôr-do-sol. Quero ir sem rumo, fazendo caminho e traçando destino, quero deixar mais saudade do que sentir falta. Quero frio pra me aquecer num abraço e cachoeiras pra refrescar cabeça quente. Quero cultura e folclore, cores e fitas no meu dia. Quero não me preocupar com o cabelo bagunçado e a roupa amarrotada. Quero não dar satisfação, nem explicação pro meu humor e posição. Não quero mais monitorar a hora e a estação, não quero radar pra minha direção. Quero deitar na grama, dormir na rede sob uma sombra qualquer, comer a fruta do pé, quero não medir o tempo, fazer hora, ser paciente, esperar as coisas. Quero que elas venham e da mesma forma partam. Quero menos surpresa, quero mais realização. Quero não ter mais que escrever pra afogar mágoas. Quero escrever pra aprisionar emoção. Quero guardar em cada palavra tudo o que um dia foi imaginação.   

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