quinta-feira, 29 de março de 2012

Band-aid.

            

     Acordei com a estranha sensação de nó no peito. De fato, os dias têm assim se sucedido, aperto a aperto, de alma, juízo e coração. Engraçado é constatar que sinto falta da época em que arranhões nos joelhos eram minha maior preocupação. A dor mais assombrosa que me assolaria. Nada que um pouquinho de mertiolate e um band–aid não dessem conta. Ah, mas hoje, hoje a dor é diferente, não se externa em lágrima, grito ou sangue. É latente, causa vertigem, me faz perder a força. Sangra sem derramar uma gota de plasma ou material genético. Hematomas cobrem minha alma, sem que sejam percebidos. 
       Ultimamente, tenho incansavelmente me esforçado a fim de manter o ritmo cardíaco e o controle respiratório, mas meu prognóstico não é dos melhores, disso até eu, leda e leiga, tenho ciência. Como em terapia intensiva, tenho me policiado, em busca de qualquer vestígio que me mostre os caminhos para esse tumor cá instalado. Não é nada na cabeça. O coração também está limpo. Sistema digestivo, respiratório, circulatório. Tudo em ordem. Sofro de um mal no espírito, cheguei a essa conclusão depois das últimas experiências por que passei. 
     Ando tão à flor da pele que centelhas formigam meus pensamentos. Sinto faltas grandes, e não me preencho com nada. Alergicamente afastei pessoas, por medo de contágio e receio de mágoas sentidas. Acredite, até meu sorriso se perdeu em algum canto desse mal acometido. Sinto flores murchas dentro do peito e nuvens escuras rondando minha cabeça. 
      Que mal será esse, Deus, que acomete e aprisiona uma alma tão idosa e caduca num corpo próspero e jovem?! Não encontro resposta, nem nos livros, nem nas evoluções tecnológicas. Temo que minha enferma alma sucumba meu já afeto corpo, e por assim dizer, que eu vague incerta sobre o mundo, sem compreender a vida que vai passando.    

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