É o que se paga por estar vivo. Constatei isso após o ‘gran finale’ do meu romance. O terceiro dos últimos quarenta dias. Será que estou com algum tipo de obsessão ou dependência físico-química por literatura?! Bom, melhor isso que qualquer outro vício. A sessão da tarde tem sido reconfortante nas últimas semanas. Bendito seja aquele que criou a TV por assinatura. Vai ver, sentia-se assim como eu, um tanto complicado de se encaixar à realidade presente, e imprestável na maior parte do tempo. Pelo menos tive a chance de assistir aquele sucesso descabido que todos comentavam. Romances e cigarros à parte, tenho feito muito pouco e vivido ainda menos, poupando minha preciosa compreensão e paciência para os dias que me esperam. “Você nunca mudará o que aconteceu e passou”, triste reconhecer isso, assim como a canção. Então, como é que acontece isso que chamam de superação, isso de “não me abala mais”?! Quero aprender. Preciso. Não é só gritar “Adapte-se ou morra!”. Posso mesmo escolher?! Quero a segunda opção. Não, não há necessidade de acordar a classe dos especialistas em comportamento humano e suas teorias infundadas para meu tratamento. Já tratei disso antes. Aliás, venho tratando disso há anos, pra ser mais sincera, a vida toda. Só mudo de foco, sabe, no fim a sensação é sempre a mesma. Por isso eu sempre compactuei a ideia de que era melhor sozinha. Porque assim você termina quando acaba. É como a morte. Fim de papo. Quando tem algo mais ou mais alguém e acaba, é como uma tentativa frustrada de suicídio por overdose. Você acorda três dias depois, num hospital vagabundo e descobre que sobreviveu àquilo. Pior, vai ter que lidar com isso pro resto da vida. Frustrante, não?! Será mesmo que a segunda opção está fora de cogitação?! Tá, eu sei que está, não precisa repetir, não precisa me ligar perplexo e me convidar pra qualquer coisa que seja, a fim de ‘levantar o meu astral’. Não importa quantas vezes eu escute isso, a lição não vai se tornar mais fácil. Dever de casa dá trabalho, eu entendo os alunos negligentes nesse ponto. Qual o problema de querermos mais do que apenas sobreviver?! Sim, queremos amor, sucesso, ser melhor do que se pode ser. Pecamos por desejar isso!? Acho que não. Então, me explica, vale mesmo a pena ser responsável, equilibrado, pagar impostos, preocupar-se com o outro, tomar remédios?! O universo nos traz coisas para amar... e faz com que elas escapem por nossos dedos. O que sobra no final? Sobreviver e mais nada, não é?! Tão típico isso.

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