Eu não sei. Vai ver algumas pessoas estão mesmo fadadas a ser só isso. Não vou mais fugir dessa realidade inútil que volta e meia dá as caras e me mostra que, independente do meu empenho para findar determinados fatos, fim por fim não vai fazer diferença alguma. Eu já nasci por demais errada, e confabulo a ideia de que isso veio de bem antes, fora um falha no sistema, e eu caí de paraquedas no momento errado. Era pra descer no século passado. E assim passando, passei batido, sendo levada pela minha teimosia e nostalgia consoladora. Eu sofro de um mal que não tem cura. Eu vivo passado, esperando futuro e compadecendo da ideia de que meu presente nunca vale o esforço. Eu queria voltar sem necessariamente ter ido a lugar algum. Pior, eu me sinto no direito de exigir das pessoas que elas vivam passado, que entendam meu lado, e aceitem minha teoria. Teoria por teoria, ela sempre cai por terra. E foi numa dessas quedas que por aqui me instalei. E eu não consigo compreender o sentimento crescente de rejeição dentro de mim. Parece que quero expulsar a mim mesma de dentro do meu ser. Sentido, sinto em dizer, nunca fez. Nunca, em todos os meus dias eu enxerguei isso de ser certo e fazer sentido. Eu aceitei a convenção socialmente hipócrita pelo simples fato da exaustão causada pelas derrotas seguidas. Lutar sem armas é uma bela forma de suicídio, diria meu eu lírico embriagado e sozinho. Não, eu não acho a vida justa, bela e circular como todos dizem que ela é. É muito relatividade pra fragilidade de um conceito. E também não aceito o fato de criticarem meu jeito errado pro mundo certo e convencionado de vocês. Não era pra eu estar aqui, já disse, erraram o endereço. A data, o mês e o ano. Foi um total engano e confusão de serviço mal prestado, e no que isso foi dar: cá estou eu, com pouco mais de duas décadas de semivida nas costas, cansada demais pelo nada que vivi e com vontade de menos pra continuar o percurso. Então, é justo?! Pagar pelo erro dos outros?! E o que eu faço agora?! Sei que seguir as coordenadas não me ajuda tanto, porque cada passo à frente desperta lapsos de memória fatídica, e aciona a sirene na cabeça – caminho errado, caminho errado! Como eu resolvo isso?! É invenção de vocês, até onde eu sei, nunca precisei disso no meu tempo. Vamos, vocês não têm sempre uma resposta na ponta da língua para as perguntas mais estúpidas?! Resolvam a minha estupidez, eu prometo colaborar com isso. Acertem o sistema, solucionem o problema. Não fui eu quem deu a causa. Só não quero mais viver de consequências.

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