Então é só isso?! Depois de tudo, é só o que tem a me oferecer?! Eu sempre soube, o pior é isso, sempre soube que não valeria a pena. Toda aquela choradeira, aquele mal estar, a mania de estar morta e continuar vivendo, tudo, tudo, tudo nos últimos quinhentos dias seri em vão. Eu me afoguei, me sufoquei no ser arrogante e autoritário que sempre fui. A cada dia, reprimia mais de mim, e assim matava aos pouquinhos o que outrora me compunha. Eu era, era tanta coisa. Era mais sorriso, mais manha, mais conforto em ser eu mesma. Hoje não sou, quer dizer, não quero mais ser. Acabei por me tornar uma versão polida e refinada de meu gênio forte. Desgastei meus dias e as solas dos sapatos andando em círculos, perdida dentro de mim. O quão pode ser assustador seu próprio labirinto. Vez em quando me pegava aérea, fora do que realmente sentia e vivia. Às vezes, me parecia sonho demais pra ser verdade. Na maioria, eu quem construía toda fantasia que povoava. E como a mente vagueava. Mas pra início de término, tratei de finalizar o período. A pontuação sempre me fora preocupação de primeiro ato. Como quem não suporta mais vírgulas, tratei de apagar os dois pontinhos, fiz das reticências meu ponto de partida, chegando ao fim do que nem deveria começar. As linhas em branco, os rabiscos, foi tudo descartado. Passei a limpo minha fábula de vida, enxuguei o texto e a trama vivida, sintetizando tristeza e alegria. Ver a gente vê muita coisa. Guardar é mais difícil, porque a gaveta é pequena, e o fundo é falso. Sempre cabe algo mais. Não quero esbarrar qualquer hora dessas em outra lembrança frívola. Pra mim chega, chega de surpresas desagradáveis. Chega de verdades atrasadas estampadas nos cartazes. Eu quero um ensaio curto, e não me importo de ser um monólogo. Cultivo diálogos bem mais produtivos e divertidos comigo mesma. Chega de distâncias próximas, agora eu quero mesmo abismos. Limite pro que anda desordenado. Eu quero descanso pro meu relógio atrasado. Quero atualizar o fuso horário. Percebi que posso suportar vários dias de uma vez, se eu me der o descanso de um ano de vida não vivida. É só isso, não é?! Portanto, faça-me o favor. Desfaça-se do último capítulo escrito torto, choroso e desconsolado. Não há o que secar aqui. Tratemos de iniciar outro, pois o prazo de entrega corre solto, e hoje estou a fim de compactar dias em punhados de simplicidade. Foi você quem muito pouco ofereceu. Aguente as consequências da pouca profundidade.

Nenhum comentário:
Postar um comentário