Tempos difíceis esses em que nos encontramos. É o derradeiro de um ano de frustrações e descobertas. Seja lá qual for sua parcela nessa história, sugiro que trate logo de arrumar as coisas pra viagem. É que quase final de ano rima com isso mesmo, desocupar espaços pra o que todos chamam de “novo”, chegar. Não minto, não há expectativa, dose de alegria desmedida, crença ou poesia a espera, mas como há de vir, preocupemo-nos em recebê-lo bem.
Longe de ser autobiográfica, tomemos o controle, porque novembro é meio doce, é meio amargo em seus amores. Veneno das manhãs, antecede períodos de graça e talvez seja isso que lhe traga esse ar de término de fim. De início do começo. De mortes e adventos. De revitalização. Quando sentimento se aborrece, torna-se perigoso. Céus azuis desmancham-se em chamas. E antes que tragam mais pancadas, desfazemo-nos dos excessos e resquícios como neve acumulada na varanda. Algumas pedras brilham mais quando estão sozinhas, porque de tão exóticas, são incompreendidas. Tão nostálgico e peculiar, tudo refina e clarifica, o que resta é despedida, da agonia, cores frias, primavera demitida.
Perde-se tanto sem querer, plenitude, timidez, ousadia barata de encanto e alento, o frio se instala em pensamento. De bom grado chega o vento, calmo e descontento, leva longe, pessoas e mau tempo. Quarto vazio, cheio de pesares e dor, amor é sempre extravagante, e frígido desde sempre traz calor. Se é ilusão, pegue a contramão, nunca duvide de sua razão. Não peça demais, não aceite de menos. Amor desde sempre exige sossego. Cumplicidade, saudade, sustento. Em coma induzido, segurança de bolso, todo dia de manhã, café amargo e conforto, tempero agridoce pro tempo de esforço. Novembro é controle, amor juncado e outono por dentro, desapego, uma dose de contento, coisas que perdem a graça com o tempo.

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