Então, todo mundo tem um esconderijo, eu sei disso. Não somos de todo coragem, valentia e confiança. É, há medos que me assombram desde criança. Mas somos assim mesmo, meio humanos demais por dentro. Cá dentro, lá no fundo, encrostado no peito, temos isso de ser sentimento e não razão. Porque todas as manhãs nós vestimos armaduras, em busca de repostas que sempre encontramos tarde demais. E o que nos restam são cicatrizes, aquelas feridas que nunca saram e que os acasos de fora, volta e meia, magoam de novo. Resta doçura, quem sabe até ternura, em meio a tanto caos num campo de batalha. Ainda encontro resquícios do medo que tive na infância, da saudade que não descansa, dos pedaços e das distâncias. E essa falta de atenção, essa compaixão, essa falta de paixão para com a vida. Porque a gente espera, mesmo confuso, cansado e abatido, que a vida nos recompense de alguma forma. Por isso ficar sozinho nem sempre é tão ruim. Esconder-se é bom, quando tudo mais lhe exige o que você não pode dar. Ou o que você não está disposto a dar, simplesmente por não querer pagar pra ver. Oh, quanto medo cabe nisso de arriscar, quanta sorte, quanto azar. Quantas vidas temos que escolher, quantos laços temos que desatar?! Nesse meio de escolha, entre perdas e acertos, entre sonhos e segredos, há quem tente acertar. Ok, vivemos correndo atrás de acertos, porque fracassos destroem qualquer pensamento. Talvez seja mesmo essa mania de acontecer que nos carrega, nos leva adiante, nos puxa pra frente quando nossa cabeça diz não, quando nos escondemos por receio. Essa vontade que vem de não sei onde e exige de nós, muitas vezes, o que já não aguentamos carregar. Porque continuar é isso mesmo. Aguentar o fardo, ainda que ele pese mais do que suportamos. E isso de superar, desapegar, continuar, sempre em frente, sempre andando, passos largos, movimenta o mundo. Está em obras, na tv e no cinema, nos livros de auto ajuda na cabeceira das camas. Está em nós, ainda que camuflado, cansado de trabalhar todo dia essa ideia maluca de que seguir adiante ainda é o melhor remédio pras nossas loucuras. Ainda é, e provavelmente continue a ser a única saída pras nossas desventuras.

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