quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Acordo




Então setembro, vamos fazer um trato. Prometo acordar cada dia seu com um sorriso no rosto e uma alegria disfarçada se você me garantir um mês sem decepções. Eu sei, é pedir demais, mas, por favor, vamos amenizar as coisas desta vez. Eu não aguento mais cinco horas de sono quando eu poderia dormir vinte e cinco, ou nem mesmo acordar. Por favor, coração, trate de esquecer quem não fica, pode fechar a porta, não precisa aguardar quem não volta, vai descansar. A bagunça, não se preocupe, assim como todo o resto, eu vou arrumar. Dor de cabeça pode parar, não gaste energia, você não incomoda mais tanto assim. Ah, lágrimas, também podem se poupar, não vou mais desperdiçá-las como da última vez. As frases guardadas pra quando houvesse sentido também já podem ir, sentido nunca houve e o que eu senti não vai mais importar também. Desculpas vão embora, a ordem do dia é faxina, fora tudo aquilo que não mais importa, hora de se ocupar com o que tem serventia. Tempo, siga em frente, de preferência, corra, porque esse marasmo já fez estragos demais.  Ah, medo, quase ia me esquecendo, não sei quem te trouxe aqui, mas poupe-me de te enxotar e saia por conta própria, porque nunca houve espaço pra você, e eu detesto intromissão. Sonhos, vocês não ficam mais na cama, levantem comigo porque essa vida sem graça quase sempre me cansa. Lembranças me deem um tempo, as más nem precisam voltar, as boas, tirem férias, vocês andam agitadas demais. Sem mais perdas, arrependimentos, expectativas ou conclusões, quero tudo fora e só fica quem eu mandar. Solidão, você fica. Preciso de você pra ler, pra escrever, pra cuidar de mim e me deixar ser eu mesma. O que?! Isso é estranho!? Não, não é não, eu sempre fui meio às avessas, eu vivo esperando o outono voltar. Por isso, setembro, chegue logo, porque finais acontecem sempre, e tão logo você chegue, em seguida partirá.

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