Deitada na minha cama, ouço o tique-taque do relógio. Me encontro tão distante. Presa em lembranças, coisas que ficaram para trás. Tentando me desfazer desse rio de memórias que desagua em mim. Confusão não é novidade. Esse é o jeito como eu gasto minha vida, escondendo tudo o que ninguém mais entenderia. Ou fingiria entender. A verdade é que minha cabeça tem muita coisa. Mas no coração restou muito pouco. É um vazio no fundo da gaveta. Eu sei que não há alguém para culpar. Porque eu sempre me alegro com coisas novas, mas gosto mesmo das coisas velhas, do antigo de sempre. Foi assim com a faculdade, a aula de xadrez, as pessoas. Não é que as “coisas novas” sejam ruins. É que elas nunca superam as antigas. E acho que é por não mudar tão fácil que eu gosto do ultrapassado. Do costume de sempre que permaneceu com o tempo. É assustador pensar em conhecer alguém que te faça tão bem, e no instante seguinte não reconhecer o estranho a sua frente. Tudo bem, as pessoas mudam, as promessas são quebradas, o mundo gira e coloca tudo em seu devido lugar. Mas algumas coisas simplesmente não se perdem com o tempo. E pra mim, são elas que importam. Quando o céu está prestes a desabar, quando nada mais me consola, quando a dor já passou a fazer parte da rotina, eu me encontro segura no antigo. Eu ouço pela milésima vez aquela música que diz “tenha fé, aguente firme, há mais na vida que só viver”. E confirmo mais uma vez o que já sabia. Eu sou capaz de tomar conta de mim sozinha.

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