quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

E pra começar...



       Sou daquelas pessoas que escrevem o que não conseguem dizer. Escrevem o que dizem, escrevem os pensamentos soltos que passam num instante, escrevem quando ouvem música e quando estão tristes. Escrevem porque não existe coisa melhor do que colocar pra fora aquilo que se sente em forma de poesia. Seria muito bom se todos pudessem fazer da vida um livro, no qual cada capítulo seria escrito diariamente, e cada nova descoberta, cada novo sentimento pudesse ser lembrado para sempre. Onde as pessoas que passam por nossos caminhos não fossem esquecidas com o tempo, e que os momentos de tristeza e raiva tivessem um espaço pequeno reservado, para que as coisas boas contagiassem não só o nosso livro, mas os das pessoas ao nosso redor. É tão difícil guardar os momentos bons, e mais difícil ainda esquecer as mágoas. É tão complicado aceitar as mudanças e compreender o que o outro faz. É perigoso amar alguém e não ser correspondido, é tão rara uma demonstração de carinho, é tão comum viver sozinho. É tão fácil perder os amigos, é tão importante se manter tranqüilo, é tão torturante escrever tudo isso. E por que tanta gente insiste em fazer a vida dar certo do seu jeito? Por que existem pessoas que se escondem e vivem de máscaras enganando os outros? Por que é tão complicado ser sincero e esperar sinceridade de alguém? Por que começar algo é sempre animador, mas com o tempo pode tornar-se sem graça e entediante? Por que é tão mais fácil viver triste que se manter alegre? Porque o homem se prende, às vezes à raiva, às vezes, ao medo. E todos sabem que não há um bom jeito de se terminar as coisas. E, por tudo isso, vão levando como podem aquilo que chamam de vida, morna e sem graça como chuva de outono. Não são felizes por medo, medo de se arriscar... mal sabem que correr risco é bom, às vezes, correr risco é tudo.

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